Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria.
Jorge Luís Borges

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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A Morte, Tão Perto

Saber que a morte

Está perto

Saber que a morte

Está a meu lado

É tão triste

Tão arrepiante

Tão assustador

Temia-a

Temia a sua imprevisibilidade

Temia a sua dor

Temia ter que ir

Temia esquecer uma vida

Agora

Já não a temo

De que me vale?

Está perto

Nada posso fazer

O destino está definido

O livro

Está escrito

A morte caminha lentamente

Em minha direcção

E nada posso fazer

Escolheu-me, porquê?

Pode ser que haja uma resposta

Para todas as minhas questões

No paraíso, para lá dos céus

Onde me espero encontrar

Depois de adormecer

E nunca mais acordar.

Por agora

Nada mais me resta fazer

Senão

Perdoar e o perdão implorar

Amar e o amor oferecer

Rir para não chorar

Viver intensamente

A preciosa claridade

E a assustadora noite

Mas magnífica

Que me oferece um luar intenso

Para ver e amar

Não vou lamentar

Não me vou arrepender

Não me vou preocupar

Vou viver, amar

Aconchegar, observar

Descobrir novas emoções

Relembrar a felicidade

E abandonar a tristeza

E no momento de ir

Irei

E no momento de adormecer

Nunca mais acordarei.

Agora

Dou mais valor à vida

Dou valor ao facto de poder acordar

Todos os dias

Dou valor ao facto

De amar e ser amada

De poder estar com os que amo

E lhes poder dizer o quanto os amo

Dou valor à luz, ao sol

Dou valor à noite, ao luar

Dou valor ao trigo e à água...



Joana Vidigal, 9ºB

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